*por Luis Ramos e Felipe Fujii
O consumidor brasileiro de hoje é digital, bem informado e notoriamente impaciente com experiências de compra inconsistentes.
Acostumado com a conveniência e autonomia oferecidas por tecnologias como assistentes virtuais e totens de autoatendimento, o comprador espera agilidade, clareza e, acima de tudo, personalização em cada interação.
Este novo perfil de consumidor pressiona o setor varejista a inovar constantemente, buscando uma "conversa" única, coerente e fluida, mesmo transitando entre os canais físicos e digitais. Neste contexto, o desafio ultrapassou o mero omnichannel. Estamos falando da Omni Experiência ou Omnichannel Customer Journey.
Marcas que ainda não integraram totalmente seus pontos de contato físico e digital estão deixando de proporcionar essa experiência de compra e garantia de entrega, independentemente do canal, seja aplicativo, site, loja física ou redes sociais. A verdadeira evolução exige que as plataformas de experiência estejam conectadas a sistemas fundamentais como o sistema de vendas (PDV), estoque, logística, CRM (Customer Relationship Management) e atendimento, garantindo que o contexto de cada interação seja preservado. Desta forma, a hiperpersonalização passa a atuar como estratégia central no setor. Ela vai muito além da simples recomendação de produtos, focando em elevar as interações com base no comportamento e nas preferências individuais do consumidor. O varejista deve ter em mente que 71% dos consumidores esperam interações personalizadas das empresas e 76% ficam frustrados quando isso não acontece, de acordo com estudo da McKinsey.
E para que a personalização seja realizada de forma efetiva, o conhecimento é o ponto de partida. Embora muitas empresas já acumulem dados valiosos, como histórico de compras e comportamento de navegação, frequentemente, essas informações estão dispersas em sistemas desconectados. A solução passa pela adoção de plataformas de integração, data lakehouse e big data para consolidar esses dados em uma visão única e acionável, transformando dados em inteligência de negócio. Ao aplicar a hiperpersonalização de forma eficaz, as empresas podem gerar um aumento médio de 10% a 15% na receita, também segundo estudo da McKinsey.
E a Inteligência Artificial (IA) tem o papel de protagonista neste movimento de uma jornada fluída. Tecnologias avançadas como visão computacional, chatbots e Realidade Aumentada elevam a performance dos varejistas. Por meio da Inteligência Artificial, as empresas conseguem identificar padrões que seriam imperceptíveis ao olhar humano, permitindo ajustes de campanhas e recomendações em tempo real.
A união da hiperpersonalização e da omnicanalidade, potencializada pela IA, permite que o cliente transite entre canais sem rupturas, potencializando a fidelização e fornecendo dados valiosos para antecipar demandas e personalizar promoções. A otimização não é apenas na interação: a conexão com a IA e a análise de dados otimiza a logística, calculando estoques mais próximos do cliente, o que reduz custos operacionais e agiliza entregas.
Exemplos de experiências fluidas já são realidade no varejo brasileiro, como o "Click and Collect" que permite comprar online e retirar na loja física. O autoatendimento também evolui rapidamente com self-checkout, totens interativos e Vending Machines que, ao incorporarem análise de dados e recursos de IA, oferecem agilidade e comodidade, integrando-se perfeitamente à experiência Omnichannel. Nos pontos físicos, vitrines digitais inteligentes personalizam a exposição de produtos conforme o perfil do visitante, enquanto o video analytics ajuda a compreender o fluxo de pessoas e a ajustar o atendimento.
Contudo, para que essas soluções alcancem seu potencial máximo, a integração é o ponto estratégico, e o fator confiança é inegociável. Se por um lado, a preocupação com a privacidade é uma obrigação legal, a questão do uso ético dos dados está em plena ascensão. Com 90% dos consumidores apontando a proteção de dados como fator determinante de confiança, de acordo com estudo da PwC, tratar as informações de forma legítima e transparente é uma vantagem competitiva que fortalece o vínculo com a marca.
O varejo brasileiro se move em direção a um cenário em que a IA Generativa, a automação e a integração de dados tendem a se consolidar como padrão. O verdadeiro diferencial não reside na tecnologia em si, mas em como ela é aplicada: com integração e pragmatismo, garantindo experiências consistentes.
Investir em tecnologias estratégicas garante não apenas mais vendas, mas também clientes fiéis. O futuro chegou ao varejo, e transformar essa complexa teia de canais e dados em uma Omni Experiência conectada, confiável e memorável é a chave para atender, e encantar, o consumidor cada vez mais exigente
*Luis Ramos e Felipe Fujii são, respectivamente, Head da Unidade de Negócios de Retail e Consultor de Negócios de Digital Business em Retail, da SONDA do Brasil, líder regional em Transformação Digital
SONDA aplica experiência da Infovia Digital do Mato Grosso do Sul em soluções de conectividade, monitoramento e integração logística ao longo do corredor rodoviário sul-americano
Projeto conecta 1.384 pontos públicos e oferece wi-fi gratuito em 129 praças
A SONDA anunciou investimentos de R$ 190 milhões para 2026 (12% a mais que em 2025) focados na expansão de soluções de conectividade e no fortalecimento da inclusão digital no País. A empresa tem como um dos focos projetos de infovias estaduais e tem estreitado parcerias com operadoras de telecom, desde provedores regionais até grandes grupos.
