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Empresas de TI fecham novos contratos com distribuidoras

30/08/2018

Por Jacilio Saraiva | Para o Valor, de São Paulo

Apesar do cenário de investimentos represados, fornecedores de soluções e serviços de tecnologia da informação (TI) estão conseguindo fechar contratos com as distribuidoras de energia. Empresas como Siemens, Hitachi Vantara, Sonda e Logicalis entregaram, no último semestre, projetos para clientes como CPFL Energia e Enel. Para especialistas no setor, as companhias priorizam ferramentas para melhorar indicadores de performance, cortar custos e gerenciar as redes de distribuição.

Há dois meses, a Siemens selou um acordo para fornecer dois sistemas digitais para subestações da CPL Energia. Uma subestação é uma instalação de alta potência que contém equipamentos para transmissão e distribuição de energia, além de recursos de proteção e controle.

Avaliada em cerca de R$ 1,5 milhão, a solução será implantada na CPFL Paulista, responsável por distribuir eletricidade para 4,4 milhões de usuários. Com entrega prevista para o final de 2018, a solução e é a primeira do tipo já desenvolvida pela marca alemã no Brasil.

Na prática, o sistema digitaliza dados analógicos dos equipamentos dos pátios e os transmite, por meio de redes de fibra óptica, para dispositivos na casa de controle da distribuidora. Nos modelos convencionais, o envio de informações é feito por meio de cabos de cobre.

Sérgio Jacobsen, gerente da unidade de digital grid da Siemens, afirma que, como a medição da tensão passa a ser feita também via fibra, é possível reduzir em pelo menos 30% os custos com materiais e serviços, principalmente na parte de cabeamento e engenharia de projeto.

Outro diferencial no contrato, segundo o executivo, é que o sistema ganha conectividade com uma plataforma baseada em internet das coisas (IoT). "Dessa forma, a CPFL ainda poderá usufruir de aplicações de big data e análise de dados para uma melhor gestão dos seus ativos."

Jacobsen acredita que os investimentos no setor de distribuição de energia serão retomados este ano, mas de forma lenta. A capacidade de investir das empresas sofreu um impacto depois de ações que travaram o mercado, como a Medida Provisória 579, de 2012. Com a MP, geradoras e transmissoras puderam renovar suas concessões por 30 anos mas, para isso, trocaram tarifas acima de R$ 100 pelo megawatt-hora por taxas de cerca de R$ 30. No final das contas, a queda de receita acabou engavetando novos aportes.

Este ano, a esperança do setor de TI é que as necessidades de melhoria na qualidade do fornecimento das redes atraiam novas encomendas. "As expectativas são boas, por conta da integração de tecnologias, como a geração distribuída e o armazenamento de energia."

A Hitachi também aposta que a adoção de soluções de IoT e redes inteligentes nas distribuidoras vai puxar trabalhos na área de armazenamento de dados, a partir deste ano. "Com isso, teremos como consequência mais informações coletadas nas empresas, que ajudarão na diminuição de riscos em tomadas de decisão", avalia Ivo Leonardo de Sousa, consultor de soluções da Hitachi Vantara, subsidiária da multinacional japonesa especializada em gerenciamento de dados.

No início do ano, a fornecedora entregou um pacote de armazenamento de informações para a CPFL. Em caso de incidentes, como a parada do site principal da distribuidora, a operação é automaticamente transferida para uma unidade remota, sem um segundo de interrupção, garante Sousa. Nos sistemas tradicionais, pode-se esperar horas ou até dias para que as aplicações voltem a funcionar.

Na Logicalis, de soluções e serviços de TI, um dos contratos mais recentes envolveu a entrega de softwares e servidores para modernizar a comunicação entre o centro de operações da Enel Distribuição Rio e equipes de manutenção em campo. A Enel oferece energia para cerca de 17 milhões de clientes, no Rio de Janeiro, Ceará, Goiás e São Paulo.

"Com a possibilidade de novas privatizações no setor, há uma perspectiva de que as distribuidoras invistam na modernização das redes, principalmente com soluções que tragam eficiência operacional e uma melhor qualidade de serviço ao cliente", diz Carlos Simionato, consultor do segmento de utilities da Logicalis. 

Na SONDA, que atende distribuidoras como a paranaense Copel e a Energisa, um dos destaques do portfólio é uma solução de gestão de rede de distribuição que roda na nuvem, segundo Rivaldo Ferreira, diretor de utilities para a América Latina. Entre os recursos da ferramenta, é possível diagnosticar automaticamente um ponto de falha a partir das reclamações feitas pelos consumidores. "Isso permite direcionar as equipes técnicas de forma mais assertiva, diminuindo o impacto para os usuários."