A SONDA anunciou investimentos de R$ 190 milhões para 2026 (12% a mais que em 2025) focados na expansão de soluções de conectividade e no fortalecimento da inclusão digital no País. A empresa tem como um dos focos projetos de infovias estaduais e tem estreitado parcerias com operadoras de telecom, desde provedores regionais até grandes grupos.
Ao todo, durante o triênio 2023-2025, a empresa somará investimentos de R$ 330 milhões. Considerando os projetos em andamento, a empresa registra por volta de R$ 1,3 bilhão aportados em acordos iniciados desde 2022 para projetos de conectividade em território brasileiro.
Entre os projetos, a Infovia Digital do Mato Grosso do Sul é considerada um marco para a empresa. Estruturada como uma Parceria Público-Privada (PPP) com duração de 30 anos e envolvendo um contrato de R$ 887 milhões, a rede foi implementada em dois anos e conecta hoje 79 municípios e cerca de 1,6 mil unidades administrativas do governo estadual. A infraestrutura conta com 7 mil km de fibra óptica.
Além de levar Internet gratuita a 129 praças públicas, o projeto inclui o único data center Tier 3 do estado e uma rede metropolitana (MAN) de alta redundância. A infraestrutura, que será revertida ao estado ao fim da concessão, pode ser explorada comercialmente pela Sonda, permitindo que provedores regionais, operadoras e instituições públicas utilizem a rede.
"O Mato Grosso do Sul hoje tem nas mãos, na prática, uma rede neutra", definiu o CEO da Sonda, Ricardo Scheffer, em coletiva de imprensa realizada na sede da empresa, na última terça-feira, 4.
"Para nós é um projeto icônico e que é o pontapé inicial para uma estrutura que tem como objetivo efetivamente entregar a missão da companhia tanto às empresas, como às entidades governamentais, aos estados, e de modo geral à população", declarou o CEO.
O modelo traz ainda retorno financeiro direto ao governo, que participa como sócio da Sociedade de Propósito Específico (SPE) e recebe 20% das receitas acessórias, o que pode reduzir ou até zerar os custos do contrato.
Alguns impactos já são visíveis. Na segurança pública, a Infovia sustenta uma central de monitoramento inteligente com câmeras dotadas de IA instaladas em rodovias e praças. Na economia, a infraestrutura foi determinante para a expansão da Arauco, que anunciou um investimento de US$ 4 bilhões em uma fábrica 4.0.
A conectividade também viabiliza o avanço de políticas de saúde e educação digital, aproximando serviços essenciais de comunidades remotas. "Hoje a comunicação passa por meios digitais obrigatoriamente. Incluir digitalmente é incluir socialmente", defendeu Scheffer.
O diretor de Digital Communications da Sonda, Germano Vieira, afirmou que a empresa fechou 52 contratos até o momento, desde que a Infovia foi concluída.
"São contratos que envolvem licitações públicas, como é caso do Tribunal de Justiça e do Ministério Público do Estado do Mato Grosso do Sul, para atender também todas as comarcas. Mas, também estamos ajudando a levar a Internet fixa para todos os pequenos distritos e municípios do estado através dos provedores de Internet, os ISPs".
"Nós não vendemos diretamente o serviço, mas os ISPs utilizam a nossa infraestrutura para poder levar essa essa essa conectividade até os usuários finais. [Também] fechamos recentemente contratos com a TIM e com a Vivo, para melhorar a qualidade do serviço móvel na região e levar 4G ou 5G para que os usuários na ponta", explicou Vieira.
Inspirado no sucesso de Mato Grosso do Sul, o projeto da Infovia Digital de Goiás adota um modelo contratual distinto. Nesse caso, a Sonda foi contratada via licitação pública para projetar, implantar e operar a rede por cinco anos, renováveis por igual período.
O contrato é da ordem de R$ 484 milhões e conectará 2,2 mil pontos de atendimento público, como escolas, hospitais e unidades de segurança. Toda a infraestrutura pertence ao estado, e a comercialização dos serviços será feita diretamente pelo governo, por meio da Secretaria-Geral de Governo (SGG).
A rede goiana prevê quase 10 mil km de fibra óptica, dois data centers e um centro de gerência de redes, cobrindo 125 cidades e beneficiando 5,1 milhões de habitantes. O contrato foi assinado em junho, com previsão de conclusão da implantação da rede em 18 meses. A operação dos serviços deve começar gradualmente entre fevereiro e março de 2026.
A Sonda vem se estruturando para ser um player dominante na implantação de infovias estaduais, em busca de replicar seu modelo de execução. Essa metodologia tem por objetivo planejar e executar obras complexas em prazos curtos.
O CEO afirmou também durante a coletiva de imprensa que já discute a implementação de projetos semelhantes com outros estados brasileiros.
"Um estado que passa a ter uma área de conectividade ou de cobertura que não seja a mais adequada possível, obviamente vai ficar para trás de estados que a tem. Isso é indiscutível sob a ótica de evolução da população, de evolução de cuidados ao cidadão e de investimento por iniciativa privada. Então, isso muda realmente a realidade dos estados. Nós temos algumas conversas com alguns estados já caminhando bastante avançado. Então, o objetivo da Sonda é continuar expandindo todo o negócio de Digital Communications", pontuou Scheffer.
"Como são projetos longos, assumi-los é uma questão de planejamento. Vamos atender todos que aparecerem. No projeto de Goiás, começamos a trabalhar um ano antes o mesmo modelo com o aprendizado que a gente teve da Infovia [no MS], o que nos deu uma vantagem competitiva em termos de mercado bastante significativa. Diria que não existe uma restrição para projetos simultâneos", afirmou Germano Vieira.
A companhia opera com um ecossistema de parceiros tecnológicos consolidados, destacou Vieira. Entre eles Furukawa (na Infovia do MS), Prysmian (no projeto do GO), Huawei (equipamentos de rede) e Fortinet (cibersegurança).
"Mas, não estamos amarrados a uma marca específica. Nós desenvolvemos um projeto dependendo da exigência do que está no edital, no que foi definido pelo cliente – nesse caso, dos governos estaduais. Desenvolvemos uma solução tecnológica e dependendo da condição, a gente chama os fabricantes para participarem do projeto, desenvolverem a solução conosco e ter a melhor condição técnica e econômica", explicou Vieira.
Além das infovias, a Sonda aposta no crescimento do mercado de data centers e nuvem híbrida no Brasil, impulsionado pela matriz energética limpa do País. A estratégia é permitir que clientes escolham entre hospedar suas operações em nuvem pública, privada ou on-premise, com flexibilidade técnica e econômica.
A empresa mantém data centers em Belo Horizonte e Campo Grande, além de unidades no Chile e na Colômbia.
A cibersegurança também é tratada como prioridade. Segundo os executivos, cada projeto de infovia conta com soluções desenhadas pela unidade especializada da Sonda, garantindo proteção escalável e integrada às redes estaduais.
Nova fase vai testar a apuração das Notas Fiscais de Serviço eletrônicas (NFS-e), emitidas por empresas prestadoras de serviços. Fazem parte da lista TOTVS, SAP, IBM, Positivo, Oracle, Intelbras, Senior Sistemas, Sonda, entre outras.
Rodolfo Ramponi, especialista em cibersegurança da SONDA do Brasil, analisa os desafios do varejo omnichannel.
O varejo físico sempre carregou uma desvantagem estrutural quando o tema é mídia e audiência. Enquanto o ambiente digital evoluiu sustentado por métricas precisas e rastreáveis, o ponto de venda, em função da sua estrutura, fica restrito a estimativas e percepções. Faltam dados concretos sobre quem foi impactado, em que momento e com qual nível de engajamento, criando um verdadeiro apagão analítico que limita a mensuração de ROI (Return on Investment) e afasta investimentos publicitários mais sofisticados.
