Procurar

Nota Cibersegurança Rodolfo Ramponi

A digitalização do varejo vem avançando em ritmo acelerado nos últimos anos, impulsionada pela consolidação do modelo omnichannel e pela mudança no comportamento do consumidor. Na prática, isso significa maior dependência de sistemas interconectados, parceiros externos e fluxos contínuos de dados.

Esse novo cenário trouxe ganhos evidentes em conveniência e escala e, ao mesmo tempo, ampliou significativamente a superfície de ataque das empresas, transformando a cibersegurança em um fator determinante não apenas para a operação, mas para a própria experiência do cliente.

O conceito de omnichannel, que pressupõe integração total entre canais, tem ampliado a dependência de sistemas interconectados, com parceiros externos e fluxos contínuos de dados. Marketplaces, gateways de pagamento, plataformas de logística e soluções de terceiros ampliam a complexidade da operação e, consequentemente, os pontos de vulnerabilidade. Em uma rede altamente conectada, um único elo comprometido pode impactar toda a cadeia.

Este perfil de ambiente fragmentado tornou o varejo um dos setores mais visados por cibercriminosos. O alto volume de transações aliado à concentração de dados sensíveis se torna altamente atrativo para fraudes. Os números mostram que o problema deixou de ser pontual e passou a ser estrutural. Em números gerais, só em 2025, o Brasil registrou mais de 6,9 milhões de tentativas de fraude no primeiro semestre, segundo a Serasa Experian. No varejo, especificamente, houve uma tentativa de fraude a cada dois minutos ao longo do ano, evidenciando a pressão constante sobre as operações digitais.

Ao mesmo tempo, pesquisa do Fórum Econômico Mundial indicou que 87% das organizações perceberam aumento em vulnerabilidades relacionadas à inteligência artificial e 77% em fraudes digitais e phishing, reforçando que o ambiente digital se torna mais hostil à mesma medida em que ganha relevância estratégica. Ou seja, a inteligência artificial tem evoluído os ataques, o que significa que as fraudes não dependem mais apenas de falhas técnicas, mas exploram comportamento, contexto e, principalmente, confiança.

Entre as principais ameaças estão o phishing com uso de IA, capaz de simular comunicações oficiais com alto grau de precisão, a criação de perfis falsos em marketplaces e redes sociais, sites fraudulentos que replicam lojas legítimas e o vazamento de dados de clientes. Segundo a Gartner, ataques baseados em identidade digital e engenharia social estão entre os que mais crescem, justamente por explorarem o fator humano nas jornadas digitais.

Nesse contexto, a cibersegurança, que já assume um papel direto nos resultados de negócio, se tornou uma condição primária no varejo. Mesmo que a fricção imposta pela proteção impacte a conversão, sua ausência vai comprometer a confiança, e esse é um elo que não pode ser quebrado.

Consumidores estão cada vez mais atentos à forma como seus dados são tratados. Um incidente de segurança pode gerar abandono imediato, aumento de churn e danos reputacionais de longo prazo. Por outro lado, empresas que garantem jornadas seguras e transparentes não apenas reduzem perdas com fraude, como também fortalecem a fidelização e ampliam o ticket médio.

Integrar a cibersegurança à experiência sem transformá-la em obstáculo se tornou uma condição sine qua non. A chamada segurança invisível combina tecnologia e inteligência para proteger o cliente sem comprometer a fluidez da jornada a partir de três pilares: monitoramento contínuo da cadeia de fornecedores, evitando que parceiros se tornem pontos de entrada para ataques; proteção da jornada digital de ponta a ponta, com autenticação adaptativa e análise comportamental; e prevenção a fraudes com inteligência artificial, capaz de identificar padrões suspeitos em tempo real.

O consumidor não mede a qualidade da segurança de uma empresa pelos sistemas que ela utiliza, mas pela confiança que sente ao interagir com ela. E, no ambiente omnichannel, essa confiança precisa ser construída e protegida em cada ponto de contato.

*Por Rodolfo Ramponi, especialista em cibersegurança da SONDA do Brasil.

Notícias mais recentes

Notícias

SONDA atualiza solução de Comércio Exterior para novas regras da DUIMP e Release Azuis

Atualização do Novo Processo de Importação exige adequações em sistemas e operações de empresas importadoras num prazo de 25 dias. Integradora prevê upgrade da sua solução CE Plus antes da entrada das novas regras em produção

Notícias
Tecnologia

Com novas exigências regulatórias e de ESG, SONDA adota monitoramento contínuo de fornecedores

Pressão por compliance, ESG e gestão de riscos leva empresas a substituir a homologação pontual pelo monitoramento contínuo da cadeia de fornecedores. SONDA está entre as organizações reconhecidas pela maturidade nessa prática

Cibersegurança
Colunas
Impacto

Cibersegurança: de controle técnico a pilar da governança corporativa

Quando um sistema crítico falha, o que os usuários percebem não é um erro de programação, mas uma promessa quebrada. Em uma era de profunda integração digital, a cibersegurança deixou de ser apenas uma questão tecnológica e passou a ser o pilar que sustenta as operações diárias. Para uma instituição pública, um banco ou um operador logístico, um incidente não representa apenas uma violação de segurança; é uma fila que não avança, um processo crítico que paralisa ou um serviço essencial indisponível justamente quando ele é mais necessário, impactando diretamente a continuidade operacional, os riscos e a reputação da organização.

Conoce nuestras redes

Visitar
nossas redes

Conecte-se às nossas redes sociais para se manter atualizado com as últimas novidades em tecnologia, inovação e soluções de TI e participe de conversas que estão moldando o futuro digital da região.