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Nota Mineração

* por Alexandre Oliveira

A divulgação do início da elaboração do Plano Estadual de Mineração 2050 (PEM 2050) pelo Governo de São Paulo representa um avanço relevante na forma como o setor mineral será estruturado nas próximas décadas. A iniciativa, que está em fase de trabalho técnico, estabelecerá diretrizes estratégicas para o desenvolvimento da mineração paulista até 2050 e reforçará uma visão de longo prazo baseada em dados, sustentabilidade e crescimento econômico, sinalizando que o futuro do setor passa, necessariamente, pela transformação digital.

Os dados reforçam a relevância estratégica da região para a produção de insumos básicos para a construção civil. São Paulo responde por 70% da produção brasileira de areia industrial, 50% da areia comum, 30% da brita e 16% da argila. Além disso, conta com 3.443 empreendimentos de mineração ativos, que produziram mais de 130 milhões de toneladas de minérios em 2024 e geraram mais de 13 mil empregos formais diretos, segundo estudo do Comitê da Cadeia Produtiva da Mineração (Comin), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Além de ser uma atividade de alta complexidade operacional, intensiva em capital e cada vez mais pressionada por eficiência, previsibilidade e conformidade ambiental, historicamente, o setor de mineração enfrenta desafios relevantes na execução de projetos. Segundo a McKinsey, desafios relacionados a custos e cronogramas afetam 83% dos principais projetos recentes de mineração e metalurgia, com estouros de orçamento de capital superiores a 40% e atrasos no cronograma de 20 a 30% nos projetos de 2024. Esse cenário, somado às diretrizes do PEM 2050, evidencia um ponto crítico, indicando que é preciso transformar a forma como os projetos são concebidos, planejados e executados.

No campo operacional, a mineração pode incorporar soluções baseadas em sensores inteligentes, visão computacional e inteligência artificial para monitorar ativos críticos em tempo real. Esse tipo de abordagem permite antecipar falhas, evitar paradas inesperadas e garantir a continuidade das operações - algo fundamental em um setor em que uma única hora de interrupção pode gerar prejuízos significativos.

A sustentabilidade também ganha uma nova dimensão com o uso de tecnologia. Práticas como a filtragem de minerais, impulsionadas por sistemas de monitoramento e controle mais sofisticados, reduzem riscos ambientais e aumentam a segurança das operações. Ao mesmo tempo, ferramentas de gestão e rastreabilidade garantem maior transparência e aderência a padrões internacionais, fortalecendo a confiança de investidores e da sociedade.

Outro ponto central é a infraestrutura digital. Para que todas essas soluções funcionem de forma integrada, é essencial contar com conectividade robusta e segura, muitas vezes viabilizada por redes privativas. Elas asseguram a comunicação entre equipamentos, sistemas e equipes em ambientes remotos e críticos, sustentando aplicações como manutenção preditiva e monitoramento contínuo.

Além disso, a convergência entre Tecnologia da Informação (IT) e Tecnologia Operacional (OT), que opera o uso de hardware e software para monitorar e controlar dispositivos, processos físicos e infraestruturas industriais, tem se consolidado como um dos principais vetores de transformação do setor. Ao integrar dados de sistemas corporativos com informações de campo, as empresas conseguem elevar o nível de controle, eficiência e segurança de suas operações.

Afinal, em um cenário cada vez mais orientado por dados, não será a escala da operação que definirá os líderes do setor, mas sim a capacidade de planejar melhor, operar com inteligência e evoluir continuamente com o apoio da tecnologia.

Mais do que um plano setorial, o PEM 2050 configura como uma oportunidade de reposicionar a mineração paulista como uma indústria preparada para os desafios do futuro. Iniciativas como essa têm o potencial de acelerar a modernização do setor mineral brasileiro ao incentivar uma abordagem mais estruturada, tecnológica e sustentável.

* Alexandre Oliveira diretor da divisão de serviços da SONDA do Brasil, líder regional em Transformação Digital.

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